Brasão do terreiro Ilé Asè Osalà Bénèfan Ilé Asè Osalà Bénèfan Bruno de Oxalá WhatsApp
← Sabedoria Tradição

No Batuque, o Orixá não tem gênero: a beleza de carregar quem te escolheu

Ilustração de Oxum, senhora das águas doces, com coroa dourada e espelho

Na minha caminhada no Batuque, logo cedo aprendi uma lição que ficou marcada em mim. Conheci um zelador querido e respeitadíssimo na nação, homem de fundamento e de axé reconhecido por todos — e ele é filho de Oxum, a senhora das águas doces. Aquilo me tocou. Ali entendi, com beleza e naturalidade, uma verdade simples e profunda: o Orixá que nos escolhe não pergunta o gênero de quem vai carregá-lo.

Este texto é um convite para olhar, com respeito, para uma das particularidades mais bonitas do Batuque.

O Orixá rege o ori, não o corpo

Cada pessoa tem um Orixá que rege a sua cabeça — o seu ori. Essa filiação é uma questão espiritual: é o Orixá que se revela como dono daquela cabeça, no jogo e na feitura. Ela não tem relação com o corpo, com o gênero ou com a orientação de ninguém.

Por isso, um homem pode ser filho de Oxum, de Iemanjá, de Oyá — Orixás femininos — assim como uma mulher pode ser filha de Ogum, de Xangô, de Bará. O que importa é a energia que rege o ori, não a forma do corpo que a carrega. Quem é filho de Oxum traça em si a doçura, a sensibilidade e a força estratégica da mãe das águas, seja homem ou mulher.

A naturalidade do Batuque

No Batuque, essa verdade é vivida com naturalidade. Não é exceção nem motivo de espanto: é parte da tradição. Há quem encontre, em outras leituras espirituais, entendimentos diferentes sobre isso — e cada casa, cada caminho, merece todo o respeito. Aqui, falamos do que se vive na nossa tradição: a de que o sagrado se manifesta como quer, e cabe a nós acolher.

Há uma beleza enorme nisso. Um homem que carrega Iemanjá traz no peito o cuidado de mãe; um filho de Oxum, a sensibilidade que o torna, muitas vezes, um grande conselheiro e um zelador de mão cheia. A tradição reconhece e honra esses dons — não os esconde.

Uma casa que acolhe

Os terreiros de matriz africana têm, na sua história, uma vocação de acolhimento. Sempre foram lugar de quem o mundo, lá fora, muitas vezes não recebeu bem. Na casa de Orixá, o que importa é o seu axé, o seu compromisso e o seu coração — não os rótulos que tentaram colocar sobre você.

Esse acolhimento é uma extensão natural do que a fé ensina: o respeito a cada pessoa como ela é. No Ilé Asè Osalà Bénèfan, sob a regência de Oxalá Benefan, a porta se abre para todos que chegam com fé e com verdade.

A beleza de pertencer

Descobrir que se é filho de um Orixá — qualquer que seja ele — é descobrir um pertencimento. É saber que existe uma força que te escolheu, que caminha com você e que te reconhece exatamente como você é. No Batuque, essa força não cabe em fronteiras estreitas. Ela é tão ampla quanto as águas de Oxum, tão acolhedora quanto o mar de Iemanjá.

Se algo nestas palavras tocou você — se desperta a vontade de entender melhor a tradição do Batuque ou de descobrir qual Orixá caminha com você — saiba que há um lugar de escuta e respeito esperando. O atendimento acontece presencial em Bagé/RS e online para todo o Brasil.

Axé, paz e proteção a cada filho e filha que o sagrado escolheu.

Texto escrito a partir da vivência e da tradição do Babalorixá Bruno Hilário de Oxalá, na Nação Ijexá. Conteúdo de valorização e acolhimento, com respeito a todas as tradições de fé. Os fundamentos do sagrado são vividos presencialmente.